
(Momento Jaba: JAL) ???
Não, ainda não estamos indo embora.
Mas muitos de nós dekasseguis já foram, e continuam indo aos montes devido a crise, a atual recessão econômica, e consequentemente a falta de empregos.
Depois de anos trabalhando duro, muitos ficaram desempregados, tendo que retornar as pressas para a terra natal.
Infelizmente hoje, é mais comum nos aeroportos, ver pessoas indo embora para o Brasil, do que pessoas chegando ou voltando de lá, como era antes.
Saudade daquelas "chegadas". Ao mesmo tempo em que aqueles dias ficaram distantes para muitos que aqui permaneceram, continuam marcados nítidamente na memória, como um início de uma grande experiência de vida. Me lembro muito bem da algumas "chegadas" no Japão, da minha, de amigos, de parentes, por exemplo...
Quatro e quarenta da tarde no Aeroporto Internacional de Narita, em Tóquio. Chove pencas e tudo é estranho, quase um outro mundo. As placas não dizem nada, com as malas no carrinho começo a "me virar". Na fila da alfândega, dois caras de uns 40 anos e aparência lastimável, donos de passaporte Americano, passam batidos. Um senhor de uns 50 anos de Taiwan, na minha frente, não tem tanta sorte.
Chega a minha vez.
_ Buradiru? _ me pergunta o sujeito da alfândega, sem expressão no rosto.
_ Sim, sou brasileiro _ respondo em japonês decorado de livro de viagem.
Ao ouvir a afirmação, o homem aponta para o carrinho _ e lá vou eu abrir a mala cheia de sonhos, espectativas, algumas camisas, meias e a trecaiada pessoal.
Atrás de mim, uns três chineses barulhentos. Idem, idem.
Desde que moro aqui é assim. Pode ser coincidência, mas essa "recepção" japonesa me parece aquela da PM do Rio ao dar blitz em ônibus: só negro é revistado. Neste caso, país do samba e do futebol, nem pensar.
Ainda no terminal, pego um ônibus para a estação central de Tóquio. O motorista se apresenta em japonês e inglês, faz a reverência típica de se curvar e deseja a todos uma boa-viagem.
As máquinas, práticas, vendem de tudo (balas, cigarros, salgadinhos, cerveja, brinquedos, pókemon) são a cara do Japão. Nenhum contato pessoal. Sistema que funciona na base da exatidão.
O sujeito vai lá, digita o código da compra no celular e não usa nem dinheiro. O maço de Marlboro Light cai direto nas suas mãos.
Preço do maço: 320 ienes, tipo uns US$ 3.
São 7h da manhã do primeiro dia, compro na máquina um café de latinha Boss, (bebida que a princípio tem gosto de tudo, menos de café) logo se revela como um laxante para o meu organismo. Depois, ligo a TV. Um jornal fala (pelo que eu entendi) sobre a previsão do tempo, só não sei em que região no mapa eu moro.
São 8h da manhã no Japão... só no Japão... E assim começa uma jornada, que será curta ou longa, mas desde já, imprevisível...
6 comentários:
Legal a matéria Miya..lendo agente fica se lembrando do primeiro dia que pisamos aqui nesse terra de louco né.
Eh verdade Leonardo, acho que todos ainda se lembram, terra de loucos e de gente sem noção também.
Muito obrigado pela visita. VS!
eu tambem fiquei pensando no dia que cheguei aqui,um frio absurdo,o pessoal usando aquelas mascaras no rosto,o banheiro com aquele troninho subterraneo,hahahah...
no restante foi so deslumbramento,tirando o servico q eh bem puxadinho ne?abracaoooo.
Hahaha... verdade, o "troninho" foi uma verdadeira surpresa...
Meu primeiro serviço: Bancos de carros.
Idade: 15 anos.
Abraço!!!
Pois e, eu cheguei e gostei... O povo e muito respeitoso da individualidade de cada um, aqui ficamos a vontade, cada um veste o q gosta, do jeito q gosta....
BANCO DE CARROS!!!!15 anos!!!meu,vc e VALENTEEEE!meu ultimo trampo foi essa maravilha,rsrsrsr!foi 1 ano de pura diversao,com 3 meses as unhas comecaram a entortar,depois pra comecar a cair foi um pulinho,mesmo assim nao pedi arrego,nao!pior ,fui mandado embora com mais de 30 brasas por causa da crise!
Postar um comentário